terça-feira, 28 de abril de 2009

Da um tempo, malandragem..

Na época do politicamente correto, em que responsabilidade ambiental e social têm pautado cada vez mais o dia a dia de inúmeras empresas e algumas pessoas, o futebol vem perdendo grande parte de sua graça, devido a essa moda, que faz um bem danado a sociedade em geral, mas é controversa no âmbito esportivo devido a noções distorcidas do certo e do errado, do ofensivo e da brincadeira.

Essa controversia ocorre por causa dos personagens que envolvem uma partida de futebol, como jogadores, juízes e comentarista esportivos. Jogadores provocam o adversário de todas as maneiras, mas não aceitam ser provocados - muitas vezes não aceitam nem levar um drible, o mais plástico dos recursos do futebol. Juízes - que, na verdade, representam as inflexíveis regras do futebol - punem comemorações, mas deixam passar ilesos agressores. Já os comentaristas - com excessões, é claro - exaltam as malandragens de Pelé, Garrincha e cia e repreendem os "malandros" atuais. Será, então, que o futebol contemporâneo não reserva espaço para malandragem?

É claro que malandragem tem limite e que malandro demais se atrapalha, mas hoje em dia os jogadores são completamente repreendidos. A prova disso é a possível punição ao jogador Kleber , do Cruzeiro, por imitar um galo chorando na comemoração do gol contra o Atlético-mg. É claro que os torcedores do galo não gostaram da provocação, assim como os botafoguenses não gostaram do "chororô" do Souza, do Flamengo. Mas esse tipo de manifestação traz uma irreverência legal ao futebol, que por ser tão mutável, pode dar ao provocado o poder de provocar, em pouco tempo.

Para que a alegria do futebol - no gol e na sua comemoração - seja cada vez maior é preciso que as regras se voltem mais para os agressores, aqueles que impedem o momento maior do espetáculo, e deixem de longe dos protagonistas do espetáculo o falso moralismo. Cabe aos jogadores não exagerar, para que as provocações não descambem para insultos pesados, e quando provocados, procurar dar a resposta em campo. Já a maioria dos jornalistas....que pare de exaltar a cotovelada do Pelé - histórica, na qual ele malandramente levou o juiz a inverter a infração a seu favor - e de condenar os Souza e Kleber da vida.

O futebol tem cara e jeito de malandragem. Dos dribles às comemorações, deve-se permitir reviver esses os tempos de antigamente, quando ser malandro era qualidade, não defeito; motivo de gozação, não de brigas.

sábado, 25 de abril de 2009

Remover como?

Considerado um tabu no Rio de Janeiro, a remoção das favelas, embora seja assunto antigo, tem dado o que falar ultimamente.

Há os que consideram inviável, os que definem como prioridade e os que defendem a remoção apenas em casos específicos - como o das situadas em áreas de risco.

Os contrários a remoção consideram que opção melhor seria urbanizar as comunidades, levando infra-estrutura até elas. Os defensores utilizam como argumento principal a remoção das favelas do Pinto e da Catacumba, durante o governo de Negrão de Lima, que hoje tornariam a Lagoa Rodrigo de Freitas - um dos cenários cariocas mais bonitos- num complexo de favelas.

Em termos de turismo, pensando no cartão postal da cidade, ótima medida. No entanto, pra onde foram levados os moradores dessas comunidades? Para um local longe de ter um mínimo de estrutura e longe também do mercado de trabalho.

Remover as favelas é um assunto delicado, mas que deve ser abordado e discutido exaustivamente. Porém, a questão principal é levar os moradores dessas comunidades para conjuntos habitacionais que possam ter, no mínimo, saneamento básico efetivo e transporte de massa efetivo.

Algo difícil de se imaginar em uma cidade onde numa semana há quebra quebra nas barcas, na outra, passageiros são chicoteados no trem.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Incompetência Sincronizada

Os políticos já costumam ser incompetentes por conta própria, mas algumas medidas anunciadas recentemente por diferentes esferas do poder público demonstram que eles também sabem ser incompetentes em conjunto; perfeita sincronia.

Enquanto o governo do Estado do Rio resolve construir muros para conter o crescimento desordenado das favelas, a câmara dos vereadores aprova um projeto que concederá bolsa-auxílo aos moradores que ocupam áreas de preservação ambiental, em troca dos cuidados desses para com a área.

Diferente de muitos que - dramaticamente - já falam em segregação e comparam os ecolimites ao muro de Berlim, eu enxergo, pelo menos, boa intenção na proposta do governo do estado. Deve-se mesmo conter o avanço das favelas pelas matas, para preservar o meio ambiente e preservar esses próprios cidadãos que, muitas vezes, acabam construindo casas em áreas de risco.É preciso pensar em estratégia mais eficaz e menos agressiva para os ecolimites, algo que os próprios lideres comunitários já estão dispotos a fazer.

Por outro lado, completamente contra o ideal de preservação, o projeto aprovado na câmara premia aqueles que degradam o meio ambiente - ainda que a maioria o faça de forma inconsciente. Justamente essa inconsciência que não me permite imaginar que tais pessoas poderão preservar a área que ocupam - se é que é possível preservar uma floresta com montes de concreto. Além do que, a medida é uma espécie de incentivo, que poderá acarretar num crescimento da ocupação dessas áreas.

Portanto, uma coisa anula a outra. Como definir ecolimites se pessoas que já ultrapassaram tais limites serão premiadas ?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O Picareta da Micareta

Algumas pessoas não têm noção do quão difícil pode ser a vida nesse país. Ser político, hoje em dia, é um grande privilégio, mesmo para aqueles que desenpenham sua função de forma honesta.

No entanto, como se não bastassem os salários e as regalias concedidas por direito - ainda que exageradamente inujstas, na minha opinião - deputados e senadores não se cansam de nos chamar de otários e abusar do dinheiro público.

Os dois primeiros parágrafos poderiam ser a introdução de pelo menos dez casos ocorridos no congresso esse ano, mas agora a indignação da vez - que será esquecida em breve por todos e dará lugar a uma nova - é por conta do "deputado-galã" Fábio Faria.

Além de ter usado sua cota de passagens aéreas para beneficiar sua "companheira", Adriane Galisteu, e a mãe dela com viagens para os Estados Unidos - dentre outros destinos - o deputado ainda bancou a viagem de três atores da Globo ao seu camarote no Carnatal - carnaval fora de época em Natal, com o qual ele obtem lucro. Portanto, cometeu um belo de um crime.

Não sei se o pior foi ele ter cometido o crime, ter devolvido muito menos do que deveria, ou o fato de que o ocorrido foi entre 2007 e 2008, dando um atestado de incompetência à fiscalização que é feita aos deputados e senadores do Brasil.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

"Vá pela Ponte"

O quebra-quebra na estação das Barcas, no Rio, na última quarta-feira a noite é injustificável, apesar do desrespeito aos usuários do serviço, que ficaram cerca de 40 minutos esperando pela embarcação - o intervalo deveria ser de 10 min.

No entanto, mais vergonhoso do que isso é chegarmos ao ponto do superintendente da Barcas/SA pedir para os cidadãos que evitem as Barcas no horário de Rush e procurem outros transportes.

Um absurdo, se é justamente nesse horário que as pessoas mais necessitam de tal transporte. É praticamente dizer: "Aliviem o nosso trabalho e demorem horas no engarrafamento da Ponte Rio-Niterói."

É o transporte público da cidade das Olimpíadas 2016.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Conversa no ônibus

- Eu deveria fazer uma tese sobre as formigas
- Elas vivem num mundo interessante
- Tem até aquele desenho : Formigaz

(???????)

- Acho que o time que perder tem que pagar
- É, o time que ganha leva 49% da renda; o que perde leva 23%
- Sim, mas o torcedor deveria identificar pra qual time vai torcer, na hora que compra o ingresso. Se o time perder devolve o dinheiro.

Moral da história: Engarrafamento é uma merda.

domingo, 5 de abril de 2009

Gangues do Senado

O local que deveria servir para a elaboração de projetos que melhorem a vida dos cidadãos hoje não passa de uma casa de apostas, na qual estão em jogo dinheiro, benefícios e cargos políticos. E o povo? Esse fica sem nada nas mãos.

É comum ouvirmos expressões com relação aos integrantes do senado como "A Turma do Sarney". Turma, no caso, é um grande eufemismo para as gangues que hoje se degladeiam em busco do melhor...para si mesmos.

Normalmente o bando é formado em torno de um líder, o qual possui influência e contatos; raramente caráter. Quando o líder deseja obter sucesso em uma votação seus capangas são embuídos de correr atrás do objetivo. Em troca, quando o chefão tem em mãos o poder de indicar, os candidatos mais prováveis a ocupar o cargo são seus seguidores. Em troca, o chefe terá um comparsa em um cargo importante.

Vez por outra as gangues se veem em conflito. Aí então nada melhor que uma negociação. Um favor no senado é uma bela moeda de troca.

Com tantos interesses em jogo, nos raros momentos em que as propostas são discutidas e votadas, os cidadãos não mais se perguntam "O que esse projeto mudará na minha vida caso aprovado?", mas "Em benefício de que - ou de quem - ele está sendo discutido?".

A solução então é desistir do congresso e votar em branco ou nulo? Seria o caminho mais simples e fácil; tentador. No entanto, vale mais a pena procurar os políticos decentes - se é que as duas palavras podem andar juntas - como a uma agulha num palheiro.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

1º de abril.

A Argentina perdeu de 6x1 para a Bolívia. Seria bom demais pra ser verdade e, em um 1º de abril, na certa é uma mentira.

Mas pra alegria geral da nação - brasileira - isso aconteceu mesmo. Hoje, 1º de abril de 2009, a seleção Argentina perdeu para os bolivianos por 6x1 em partida válida pelas eliminatórias da copa de 2010.

Logo os Hermanos, que possuem um dos ataques mais qualificados do mundo - com Messi, Tevez, Aguero e cia - levaram um bombardeio. Que ironia. A explicação, então, está na defesa? Sim, de fato a defesa Argentina não é lá grandes coisas; vive de jogadores de nome, de um passado recente, mas que não dão mais conta.

No entanto, a explicação mais plausível e que ao mesmo tempo nos revela a maior ironia na derrota dos Argentinos pro penúltimo colocado das eliminatórias é a altitude. A Bolívia manda seus jogos na cidade de La Paz, a quase 3700 metros acima do mar.

Todos sabem o crime que é jogar em tais condições, onde mal se pode respirar.A FIFA sabe, por isso há algum tempo resolveu proibir os jogos em altitude maiores a 2500 metros, incluindo La Paz na restrição. A Bolívia, é claro, questionou, protestou e recorreu junto a FIFA.

Foi assinado uma espécie de tratado entre alguns países da América do Sul em apoio aos bolivianos - do qual o Brasil não participou. A Argentina assinou. O presidente Evo Morales passou a fazer uma grande campanha para que fossem permitidos os jogos em La Paz, e como parte de toda a presepada jogou uma peladinha na altitude ao lado de um dos maiores jogadores da história.

Quem era o tal jogador?? Diego Armando Maradona, grande ídolo, Deus na Argentina, defensor da legitimidade dos jogos em La Paz e, principalmente, atual TÉCNICO DA SELEÇÃO ARGENTINA.

Grande ironia do destino que coloca Maradona numa sinuca de bico: Se disser que perdeu por causa da altitude mostrará ser incoerente com o que defendeu no passado. Mas se não foi a altitude a situação está feia para a seleção da Argentinha.